"Restava-me o amparo dos livros" - José Jorge Letria

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

1.º Parágrafo - Às minhas filhas, Elizabeth Noble

"Minhas queridas filhas, 

Apesar das minhas tendências controladoras, não há muitas regras no que ao funeral diz respeito. Façam-no o mais cedo possível, está bem? É uma coisa a despachar quanto antes. A Lisa sabe quais são as músicas, se forem capazes de aguentar o que escolhi.Já falámos a cerca do funeral: sabem que não quero lá mais ninguém além de vocês, sabem qual é o caixão e sabem qual é o fato fabuloso que quero levar vestido. Gostaria que lessem este poema, que eu adoro. Graças a Deus pelas insónias e pela internet, caso contrário nunca o teria descoberto e vocês ficariam agarradas a qualquer coisa horrorosa. O poema deve ser lido por alguém que consiga fazê-lo sem chorar, porque essa é a minha regra principal. Nada de choros, por favor. Se forem capazes. Ah, e nada de preto. Vistam a coisa mais garrida que encontrarem no vosso roupeiro. Bem sei que ambas as coisas são clichés. mas é melhor o cliché garrido do que o cliché sombrio. E tentem fazer com que haja sol (embora reconheça que isso talvez não seja algo que possam controlar). Não vou pôr-me com pieguices nesta carta, verdadeiramente pragmática, mas atrevo-me a dizer que haverá mais cartas. Tenho outras coisas para dizer - anuncia ela ameaçadoramente -, se viver tempo suficiente para as escrever... (Não adoram o humor das doenças terminais).

in Às Minhas Filhas de Elizabeth Noble, página 9

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