"Restava-me o amparo dos livros" - José Jorge Letria

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Crónicas do Sul - Luís Sepúlveda

Um livro pequeno mas muito interessante. O segundo livro que leio do autor, e realmente acho que vale a pena.

São livros destes que nos aguçam a curiosidade e que nos fazem pensar e querer pesquisar mais sobre os temas referidos.
Neste caso, encontramos o tema: Chile e os seus problemas políticos. Sou pouco conhecedora das adversidades chilenas, porque também nunca me dei ao trabalho de pesquisar nada sobre o assunto, e com este livro, conheci uma boa parte do passado do país, o governo de Pinochet. Este tema deixou-me perplexa. Afinal, ainda há coisas que me chocam.

Em relação à escrita, tive momentos mais difíceis no que diz respeito à interpretação de texto. O vocabulário do escritor é muito diversificado e o tema, "política", faz com que seja imprescindível o uso de certas expressões pouco familiares. Não considero isto um ponto negativo, apesar de desviar algumas vezes a minha atenção, mas considero enriqueceu a leitura.
Ao mesmo tempo, têm uma linguagem "Nua e Crua", ataca a política, no seu passado e no seu presente. Achei interessante as três referências negativas que faz ao seu colega de profissão Mário Vargas Llosa.
Destaco as seguintes crónicas: "Há uns macacos mais caros que outros" e "Chile, ou a guerra que não existiu" .

Com este livro concretizei o meu objectivo de livros lidos em 2012. Foram 30, mais 10 que o ano passado ;)

Sinopse:

"Os mortos estorvam, as vítimas estorvam, são incomodativas, e os que clamam por justiça são mais incómodos ainda."
Mas no silêncio que rodeia os perseguidos, há alguém como Luis Sepúlveda que não hesita em colocar a sua pena ao serviço de uma legítima demanda pela igualdade.
Nestes breves e intensos textos, escritos entre a Primavera de 2005 e Dezembro de 2006, quando Pinochet morre, Sepúlveda debruça-se sobre uma longa galeria de horrores.
A sombra do General e da sua família predadora paira ainda sobre o Chile e sobre as memórias de quem sentiu na pele a crueldade do tirano e assiste agora à sua morte. Até na civilizada França os fantasmas da intolerância serpenteiam pelas ruas e levam aos protestos dos imigrantes, provando que nenhum país tem a exclusividade da prevaricação.
Mas há sempre uma esperança de que as coisas podem mudar - encarnada pela mulher que preside agora aos destinos do Chile, Michelle Bachelet; pelos estudantes que lutam por um sistema de educação baseado na qualidade do ensino; pelos chilenos que, mesmo nas mais recônditas regiões do país, exerceram o seu direito de voto, dando provas de maturidade e civismo. Um livro em que vibra de novo a paixão implacável de um grande escritor, capaz de fazer com que a denúncia e a indignação se transformem em matéria da mais alta qualidade literária.

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