"Restava-me o amparo dos livros" - José Jorge Letria

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Blasfémia - Asia Bibi

Esta publicação vem atrasada. Mas o tempo é cada vez menos. Desculpem mas aqui vai.

Adoro conhecer culturas diferentes, sejam elas melhores ou piores que a minha, e já que não posso viajar pelo mundo todo com as minhas perninhas, viajo com os meus livros. Por vezes as viagens são tão boas e encantadoras que imagino-me a viver lá. Outras vezes só quero regressar a casa. Foi o que me aconteceu com este livro. Não por não ter gostado da leitura, mas não gostei da cultura que conheci. O Paquistão é daqueles países que gostava que só existissem em livros de fantasia, e por vezes é isso mesmo que desejo. Há certas coisas que me parecem surreais, e no entanto, acontecem todos os dias.

Este livro conta-nos a história verídica de uma mulher paquistanesa mas cristã que foi condenada à morte por ter bebido água do mesmo poço que as muçulmanas, apesar de não ser apenas este o motivo que a leva a ter de cumprir esta pena.
A Blasfémia é o tema central deste livro. No momento em que Asia tenta defender a sua religião dizendo que Cristo dela fez mais do que Maomé pelo seus seguidores, é acusada de faltar ao respeito à religião predominante no Paquistão. É por esse motivo que ela é condenada à morte. Converter-se a muçulmana é a única forma de se salvar da morte, mas ela não quer, e enquanto isso espera desesperadamente que alguém a salve ou que o seu dia finalmente chegue. Coloquei-me no lugar dela e fiquei a pensar se não acabaria por me converter.

O papel da mulher é mais uma vez salientado neste livro, tal como a religião, a politica e a sociedade extremista. É um livro interessante e um pouco doloroso. 

Sinopse:
Uma aldeia no centro do Paquistão, perto de Lahore. A temperatura chega aos 40º C e as mulheres trabalham nos campos. Entre elas está Asia Bibi.
 
Asia tem sede. Ela tira um balde do fundo do poço, despeja um pouco de água numa velha xícara de metal e bebe até ao fim. Enche de novo a xícara e oferece-a a outra mulher a seu lado. É nesse momento que assina a sua sentença de morte.
 
Asia é cristã e a chávena de metal pertence às suas colegas muçulmanas. Ao mergulhar de novo a chávena no balde depois de ter bebido nela, Asia sujou a água. Depressa se começou a falar de blasfémia. Asia é condenada, sentenciada à morte. Por enforcamento. Tudo por um copo de água.
Há já dois anos que Asia está na prisão, à espera de ser executada.

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